Virada nas urnas leva Vicentinho Júnior ao Governo e reorganiza forças políticas no Tocantins

O resultado do segundo turno mudou de forma expressiva o equilíbrio de forças na política tocantinense. Depois de terminar a primeira etapa da eleição atrás de Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB) reverteu o cenário e foi eleito governador do Tocantins neste domingo (25), consolidando um grupo político que começou a ser estruturado a partir de dissidências da antiga base governista.

Com 100% das urnas apuradas, Vicentinho recebeu 562.083 votos, equivalentes a 64,52% dos votos válidos. Professora Dorinha terminou com 309.076 votos, ou 35,48%.

O resultado representa uma mudança significativa em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Dorinha havia liderado a votação com 386.260 votos, correspondentes a 45,52%, enquanto Vicentinho ficou em segundo lugar com 372.848 votos, ou 43,94%.

Em três semanas, portanto, o candidato do PSDB saiu de uma desvantagem de 13.412 votos para uma vantagem superior a 250 mil votos no segundo turno.

Projeto começou com núcleo político reduzido

A construção da candidatura teve como principais articuladores Vicentinho Júnior, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, e o deputado federal Alexandre Guimarães.

Os três haviam integrado, em diferentes momentos, o campo político ligado ao governador Wanderlei Barbosa, mas passaram a defender um projeto eleitoral próprio para 2026.

Durante a pré-campanha, o grupo chegou a se apresentar informalmente como “Trio Parada Dura” e “Três Mosqueteiros”, numa tentativa de demonstrar unidade em torno da nova articulação política.

Vicentinho acabou lançado ao Governo, com Amélio Cayres como candidato a vice-governador. Alexandre Guimarães disputou uma das duas vagas do Tocantins ao Senado e também saiu vitorioso das urnas.

Alexandre foi eleito senador no primeiro turno, com 19,2% dos votos, e exercerá mandato entre 2027 e 2035. A outra vaga ficou com Eduardo Gomes (PL), que conquistou a reeleição.

Assim, o núcleo que iniciou a articulação termina a eleição com representantes no Governo do Estado, na vice-governadoria e no Senado Federal.

Alianças cresceram ao longo da campanha

No começo da disputa, Vicentinho enfrentava o desafio de construir uma candidatura fora da estrutura política que sustentava Professora Dorinha.

À medida que a eleição avançou, porém, o grupo ampliou sua rede de apoios e passou a receber adesões de prefeitos, deputados e lideranças municipais.

A movimentação se intensificou especialmente após o primeiro turno, quando Vicentinho passou a disputar diretamente com Dorinha os votos dos candidatos eliminados e dos eleitores que ainda não haviam definido uma posição para a segunda etapa.

Uma das adesões de maior peso foi a do vice-governador Laurez Moreira (PSD), terceiro colocado no primeiro turno, que passou a apoiar Vicentinho na etapa decisiva.

Esse processo ampliou a composição política em torno do tucano e ajudou a transformar uma disputa inicialmente apertada em uma vantagem ampla no resultado final.

Mudança em relação ao primeiro turno

O tamanho da virada é um dos principais elementos da eleição.

No primeiro turno, Dorinha havia terminado 1,58 ponto percentual à frente de Vicentinho.

No segundo, o candidato do PSDB alcançou 64,52% contra 35,48% da adversária, abrindo diferença de 29,04 pontos percentuais entre os votos válidos.

A mudança demonstra que uma parcela significativa dos eleitores que havia optado por outros candidatos no primeiro turno, além de parte do eleitorado que redefiniu sua escolha, migrou para uma das duas candidaturas finalistas.

O resultado oficial, contudo, mostra apenas o destino final dos votos e não permite determinar individualmente de qual candidatura ou grupo veio cada transferência.

Propostas de redução de impostos estiveram no centro da campanha

Durante a disputa, Vicentinho adotou um discurso voltado à mudança administrativa e à revisão de políticas tributárias.

Entre os compromissos defendidos durante a campanha esteve a extinção do Fundo Estadual de Transporte (FET), cobrança que tem impacto direto principalmente sobre o setor agropecuário.

O governador eleito também prometeu revisar tributos estaduais, incluindo medidas relacionadas ao ICMS e ao IPVA.

Na área da saúde, apresentou propostas de descentralização dos serviços, ampliação de unidades regionais, expansão de leitos de UTI, hemodiálise e uso de telemedicina.

Durante a campanha, Vicentinho afirmou ainda ter percorrido os 139 municípios tocantinenses para apresentar seu projeto e reunir demandas regionais.

De deputado federal ao Palácio Araguaia

A eleição coloca Vicentinho Júnior em um novo patamar de sua trajetória política.

Empresário e deputado federal desde 2015, ele exerce atualmente o terceiro mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Ao longo desse período, teve atuação principalmente em temas relacionados ao agronegócio, infraestrutura e desenvolvimento regional, tendo presidido a Comissão de Agricultura da Câmara em 2024.

Com a vitória, deixará o Congresso Nacional para assumir o Governo do Tocantins em janeiro de 2027, para um mandato de quatro anos.

A mudança também transfere para Vicentinho a responsabilidade de conduzir o Executivo estadual e de transformar as promessas apresentadas durante a campanha em políticas públicas.

Amélio e Alexandre também ampliam influência

A eleição fortalece também Amélio Cayres e Alexandre Guimarães.

Amélio, atual presidente da Assembleia Legislativa, deixa o Legislativo estadual para assumir a vice-governadoria.

Alexandre, por sua vez, troca a Câmara dos Deputados pelo Senado Federal, onde terá mandato de oito anos a partir de 2027.

A presença dos três em posições estratégicas cria um novo núcleo de poder político no Tocantins, com atuação no Executivo estadual e representação no Congresso Nacional.

O impacto desse novo arranjo deverá se refletir também nas articulações com prefeitos, deputados estaduais, bancadas federais e lideranças partidárias.

Resultado redesenha cenário político estadual

A eleição de Vicentinho representa uma mudança relevante na composição política do Tocantins, sobretudo porque sua candidatura nasceu fora do grupo que chegou ao início da campanha com o apoio do governador Wanderlei Barbosa.

Professora Dorinha contava com o apoio da estrutura política governista e havia vencido o primeiro turno, mas não conseguiu manter a liderança na etapa decisiva.

Vicentinho, por outro lado, ampliou alianças entre os dois turnos e terminou a eleição com uma votação muito superior à obtida na primeira rodada.

O resultado não encerra as disputas internas da política estadual, mas estabelece uma nova correlação de forças para o ciclo que começa em 2027.

A partir de janeiro, Vicentinho Júnior assume o Palácio Araguaia ao lado de Amélio Cayres, enquanto Alexandre Guimarães inicia mandato no Senado.

Uma articulação que começou com três nomes durante a pré-campanha termina, portanto, ocupando três posições centrais na política tocantinense.

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